Defensoria repudia desfile para adoção e avalia que ação pode prejudicar jovens
A Defensoria Pública criticou duramente o desfile realizado com adolescentes aptos para adoção, realizado na noite do dia 21 de Maio (terça feira), no Pantanal Shopping.
O evento, intitulado “Adoção na passarela”, reuniu cerca de 200 pessoas na plateia, conforme a Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara), responsável por organizar a ação, junto com a Comissão de Infância e Juventude (CIJ) da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso (OAB-MT).
No dia 22 de Maio (quarta feira), a Defensoria emitiu um comunicado repudiando o evento. “Corre-se o risco de que a maioria dessas crianças e adolescentes não seja adotada, o que pode gerar sérios sentimentos de frustração, prejuízos à autoestima e indeléveis impactos psicológicos”, disse a instituição.
A Defensoria ressalta ainda que a exposição dos menores pode levar à objetificação e passar uma ideia de mercantilização dos jovens. “Fato que não coaduna com os princípios norteadores da Constituição da República Federativa do Brasil e do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA).”
“A intenção desta nota não é descaracterizar a relevância das instituições idealizadoras. O evento, com a intenção de dar visibilidade a crianças e adolescentes de 4 a 17 anos que estão aptas para adoção, em verdade, as expõe ainda mais à situação de extrema vulnerabilidade social”, disse trecho do comunicado.
Conforme a Defensoria, é necessário ressaltar que não se pode, sob o pretexto de facilitar a adoção, usar práticas que possam atentar ou violar a integridade psíquica e moral dos menores. “Existem limitações éticas à busca de voluntários dispostos à adoção, e elas devem ser verificadas, como já diz o adágio popular: os fins jamais poderão justificar os meios”, assinalou a instituição.
“Por fim, o sonho de ser mãe ou pai deve ser tratado como um ato de amor e não como uma mercadoria a ser buscada numa vitrine. Diante do exposto, repudiamos o evento Adoção na Passarela”, concluiu.
O comunicado foi assinado pelos defensores públicos da Infância e Juventude de Cuiabá e de Várzea Grande, Márcio Bruno Teixeira Xavier de Lima e Cleire Regina Ribeiro Nascimento.
Fonte: RD News