A HEROICA VIDA DE UM PROTETOR DE ANIMAIS
Com o advento da Internet, a Proteção Animal tem um espaço para atuar, pedir ajuda e ficar mais evidenciada. Isso contribuiu muito para a causa animal. Mas infelizmente, esses recursos ainda não são suficientes para o número de abandonos e casos de maus-tratos dos animais. Sem contar que o Poder Público não age como deveria agir, no sentido de dar condições e criar órgãos de assistência para esses animais, apoiando também o trabalho dos Protetores de Animais.
Os Protetores de Animais Independentes são heróis de carne e osso, que se dispõem a ajudar e a socorrer os animais, mesmo, com vários resgatados e encontrando dificuldades financeiras para lidar com tantos casos que encontram pela frente. Isso faz com que se sobrecarreguem, e por isso é importante que a população colabore com eles.
Embora ajam como verdadeiros heróis, os Protetores de Animais são seres humanos que sofrem, choram, se deprimem, ficam doentes e têm suas limitações. Têm suas vidas, trabalham, estudam, têm família ou não, mas de desdobram para se dedicarem à causa animal. Eles lutam pela defesa dos direitos dos animais e reivindicam do Poder Público:
- Apoio para castração
- Eventos de Adoção
- Leis de Defesa e Proteção Animal mais eficazes
- Campanhas de Educação e Conscientização da população
- Ações e medidas contra toda forma de exploração animal.
Para compreender mais a importância e a vida de um Protetor, nós do Cidade em Foco – MT, fomos atrás de duas ONG’s muito conhecidas aqui em Tangará da Serra.
PROJETO ABANA
A ONG do Projeto Abana, ajuda na divulgação de animais perdidos e achados, também cuida de animais debilitados, reabilitando eles para entregarem para adoção. O Projeto se mantém como pode, através da ajuda de vários voluntários que auxiliam na compra de medicamentos e rações para os animais. Existem, em vários pontos de coleta da cidade, pequenos cofres onde as pessoas podem ajudar doando algum valor para o Projeto Abana, os cofres são intitulados de Troco do Bem. Quem tiver interesse de ajudar o Projeto de alguma forma, seja com dinheiro, medicamentos, lar temporário, é só entrar em contato através da página do facebook: @ProjetoAbana.

APATAS – SOS ANIMAIS DE RUA
Outra ONG bem conhecida na cidade é a Apatas – SOS Animais de Rua – Tangará da Serra, onde a responsável Anelisa de Oliveira, que trabalha como auxiliar de contabilidade e está no último semestre de Direito, tenta de todas as formas, ajudar os animais abandonados da cidade. Uma dessas formas é o Bazar que ocorre hoje, sábado, (16), na IFMT, das 15h às 18h.

Em entrevista ao site Cidade em Foco – MT, Anelisa nos conta as dificuldades que enfrenta no dia a dia e como se tornou uma protetora.
Como você começou a oferecer sua casa como “casa de passagem”? Como foi o primeiro resgate?
Anelisa: Sempre tivemos nossa casa como lar temporário de gatos. Minha irmã, ainda quando solteira, não podia ver um gato na rua que levava para nossa casa e a gente cuidava como podia e depois doava. O meu primeiro resgate aconteceu da seguinte maneira: um gatinho subiu em minha árvore e por eu já ter vários, mesmo não sendo protetora ainda, pedi para uma amiga ficar com ele e a mesma aceitou, chegando na casa dela para entrega-lo, vi um casal de cachorros na rua. Ela disse que eles cuidavam como podiam, mas estavam doentes… Pedi ajuda para uma amiga, que já era protetora e ela me ajudou nesse primeiro resgate: Zé Bonitin e Princesa. (Risos) e daí em diante não mais parei de resgatar animais em situação de rua de nossa cidade.
O que fez você continuar a ajudar os animais?
Anelisa: Sempre tive muita pena quando via um animal na rua, meus olhos sempre se estendiam mais pro lado de gatos, pois quase ninguém gosta, muita gente só vê o cachorro como animal que precisa de ajuda, então sempre que via um gato na rua meu coração doía e pensava: como eu queria ajuda-los. Então, assim que tive a oportunidade de fazer meu primeiro resgate, não mais consegui parar, pois, a cada um que a gente consegue salvar e arrumar um lar permanente, uma adoção responsável, é muito gratificante.
Há quanto tempo você ajuda os animais?
Anelisa: Há exatamente 7 anos.
Quantos animais você já ajudou? Tem algum animal na sua casa hoje?
Anelisa: Difícil lhe responder quantos animais já ajudei nesses 7 anos de resgates. Calculando em média, 2 animais por mês (imaginando que tem mês que não faço resgate algum, mas tem mês que resgatamos de 2 até 4 animais), posso calcular que já resgatei mais de 200 animais. Na minha casa hoje, eu tenho 6 cachorros (apenas um já era meu – 5 foram resgatados e ficaram comigo) e tenho 7 gatos todos resgatados.
Existe algum resgate em especial que você gostaria de compartilhar conosco?
Anelisa: Sim. Todos de uma maneira especial nos marca pra sempre, cada qual a sua maneira. Mas um resgate que jamais esquecerei, foi do meu “Dogão” – um cachorro que vivia na UNIC e quando o resgatei, ninguém quis adotá-lo, pois ele tinha crises de ansiedade e se auto mutilava, mordendo seu rabo e suas patas – De início, coloquei ele na casa do meu namorado, pois eu tinha os gatos e receio dele matá-los (pois quem me pediu o resgate disse que ele não suportava gatos) e fui cuidando dele e tentando lar (o que nunca foi possível, pois além de se auto mutilar era vira lata e adulto – o que torna mais difícil a adoção). Meu namorado teve que se mudar de casa e lá não podia ter animais então eu resolvi levar ele pra minha casa, onde eu já tinha 2 cachorros e 6 gatos (o cachorro apanhava dos meus gatos inocente – risos). Ele foi muito especial pra mim, tomava remédio controlado, com o tempo engordou e estava melhorando as crises, estava lindo demais. Mas numa bela madrugada, mesmo correndo pro Pet as 2 hrs da manhã, o perdi por um ataque do coração. Mas até hoje ele vive em minha memória e me sinto muito honrada por ter feito parte da vida dele, cuidado dele até o dia que ele se foi. Esse resgate nunca vai sair da minha memória.
Quais as maiores dificuldades que você enfrenta como protetora?
Anelisa: A maior é falta de condição financeira. Depois temos dificuldades com lar temporário (local pra colocar o animal até ele estar pronto e ser adotado).
O que você acha que falta em Tangará da Serra nessa questão dos animais abandonados?
Anelisa: Um maior empenho dos órgãos competentes em relação aos animais de rua de nossa cidade. Precisamos urgentemente de uma campanha de castração das fêmeas, principalmente as que vivem em situação de rua. E punição dos tutores quando os mesmos não cuidarem direito de seus animais, dando pelo menos o básico que um animal necessita pra viver bem.
O que você acha que cada um de nós, podemos fazer para ajudar os animais abandonados da nossa cidade?
Anelisa: Minha opinião, em primeiro lugar, seria não achar que nós protetores temos a obrigação de resgatar todos as animais da cidade. Se eu posso resgatar um animal, outra pessoa também pode, só basta querer e ter força de vontade. Depois, penso que se cada um cuidasse do seu animal (exemplo: parem de deixar seu animal dar a famosa voltinha, isso não é correto. Também segurem suas fêmeas quando as mesmas estiverem no cio – gata é mais difícil, mas cachorra só não segura quem não quer – muitos acham lindo suas fêmeas parindo, isso é desastroso, pois enquanto uma fêmea que tem tutor estiver parindo e povoando nossa cidade, a tendência é aumentar cada dia mais os animais nas ruas). Quando você doa um filhote, todos querem, mas no primeiro problema que acontece ele já é abandonado (não generalizando – mas maioria das vezes é assim). Todos podem ser um pouco de protetor. Senão poder acolher, assumir uma despesa por um animal de rua, então cuide pelo menos do que tem e se puder, nos ajudem – com ajuda financeira – lar temporário e nos ajudando nos eventos que fazemos pra angariar fundos.
Para finalizar, fale um pouco sobre sua ONG e como as pessoas podem entrar em contato para ajudar. Anelisa: Somos uma ONG – APATAS – mas não somos um abrigo – nossos abrigos são nossos lares (que vivem lotados) e o lar temporário de algumas pessoas (sempre as mesmas) que nos ajudam e nos auxiliam. Pra nos ajudar as pessoas podem acessar nossa página no facebook – APATAS – SOS animais de rua de Tangará da Serra e a minha pessoal também Anelisa Oliveira. Não temos um telefone próprio da ONG somente nossos particulares, por esse motivo não estarei informando o número. Agradeço a ajuda de vocês em nos ajudar falando um pouco sobre o nosso trabalho de voluntário que é muito difícil mais muito gratificante. Obrigada.
Algumas fotos dos animais resgatados pela ONG de Anelisa.
Este conteúdo tem o objetivo de reconhecer e exaltar a dedicação de cada Protetor de Animais, seja homem ou mulher, jovem ou não, com muito ou pouco recurso, tendo mais estrutura ou não, que tem mais ajuda ou precisa de mais colaboração.
Só podemos agradecer a todos vocês que tentam dar uma vida melhor para esses animais que sofrem tanto.
Fonte: Greenme.com