“FANTASMAS” NA SAÚDE Motorista, pintor e pedreiro receberam como médicos em Cuiabá
Sem formação em Medicina ou CRM, suspeitos vinham recebendo salários e valores referentes ao Prêmio Saúde

Servidores fantasmas, que estariam contratados e recebendo salários e valores referentes ao Prêmio Saúde, destinado a função de médico junto ao antigo Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (PSMC), foram alvos da Operação Chacal”, deflagrada na terça-feira (3) pela Delegacia Especializada de Combate a Corrupção (Deccor).
Até o momento, foram identificados seis suspeitos, entre eles, um pedreiro, um pintor e motorista de aplicativo.
Na operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços de funcionários da Secretaria Municipal de Saúde e de pessoas suspeitas de receberem valores do município como se estivessem atuando como médicos junto ao PSMC, atualmente referência para atendimento de pacientes com Covid-19.
Até então, não houve prisão.
A investigação teve início em 2021 e constatou que servidores da Secretaria Municipal de Saúde, valendo-se de contratações diretas ocorridas no período da pandemia de Covid-19, passaram a cadastrar no sistema interno de admissão da secretaria “servidores fantasmas” como se estivessem exercendo as funções de médicos no HPMC.
Contudo, as investigações apontam que nenhum dos suspeitos eram formados em medicina ou possuíam registro no Conselho Regional de Medicina (CRM).
Até o momento, a Deccor já constatou que seis suspeitos recebem salários e valores referentes ao Prêmio Saúde de maneira irregular, como se fossem médicos.
O montante do rombo ainda está sendo calculado, mas análise da ficha financeira dos supostos servidores, foi calculado que eles receberam valores na ordem de R$ 218,715,34, no período de março a agosto de 2020.
A partir deste momento a investigação policial transcorre no sentido de identificar a participação de demais servidores públicos municipais e “médicos fantasmas” no esquema.
A princípio, conforme a PC, os suspeitos responderão pelos crimes de peculato, associação criminosa e inserção de dados falsos no sistema.
A Operação Chacal acontece e meio à crise na Saúde Pública da Capital, decorrente da falta de aproximadamente 400 médicos na rede municipal.
No início deste ano, a Prefeitura realizou processo seletivo em que foram disponibilizadas 414 vagas imediatas em diferentes especialidades.
Contudo, o município recebeu apenas 25 novos médicos na rede por meio do processo seletivo.
Segundo a SMS, enquanto um concurso público está sendo preparado, um novo processo seletivo simplificado será realizado para ocupar as vagas em aberto.
O edital está em vias de ser publicado.
Fonte: JOANICE DE DEUS/Diário de Cuiabá