HERDEIROS Saem os pais e os filhos entram em cena
Jovens de berços políticos herdeiros natos ou por veto da permanência paterna na vida pública buscam palanques
Alguns dos principais sobrenomes políticos mato-grossenses nos últimos anos continuarão em cena, mas sem seus patriarcas, que serão sucedidos por filhos filiados a vários partidos e que concorrerão a diferentes cargos em 2022. Dentre eles, um nome que tenta suceder o pai, que exerceu mandatos no Paraná e esteve a um passo de ser ministro do presidente Lula da Silva.
Janaína Riva (MDB), campeã de votos para a Assembleia Legislativa, exerce o segundo mandato consecutivo. Filha Do ex-deputado estadual José Riva, que foi prefeito de Juara e por 20 anos controlou a Assembleia, Janaína é nora do senador liberal Wellington Fagundes.
O pai de Janaína está inelegível e cumpre prisão domiciliar por uma série de crime de improbidade administrativa, quando presidente da Assembleia, e que ele assumiu em delação premiada. Janaína o sucede.
Antônio Bosaipo, o Bosaipinho, nunca disputou mandato. É pré-candidato a deputado federal, possivelmente pelo Aliança Brasil, em razão da amizade de seu pai, Humberto Bosaipo, com o senador Jayme Campos, que é um dos líderes daquele partido. A base eleitoral de Bosaipinho será o Vale do Araguaia, onde seu pai militava politicamente. Bosaipo, o pai, está inelegível e acumula condenações por improbidade administrativa por crimes dos quais é acusado pelo Ministério Público, no período em que foi deputado estadual e presidiu a Assembleia. Bosaipo foi conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, a Justiça o afastou, posteriormente reassumiu e conseguiu aposentadoria precoce. Bosaipinho o sucede.
Emanuel Pinheiro Neto (PTB) é deputado federal e tentará a reeleição. Seu pai, o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), está afastado judicialmente do cargo sob a acusação de irregularidades na contratação de servidores para a Secretaria Municipal de Saúde.
Emanuel Pinheiro Neto poderá dividir palanque com o pai, é citado enquanto provável candidato ao governo pelo MDB.
Demilson Nogueira (PP) é vereador por Cuiabá, onde foi suplente em legislatura anterior. Demilson foi prefeito de Ponte Branca, um dos menores municípios do Brasil. Seu pai, Sandoval Nogueira de Moraes, foi prefeito daquele município e morreu vítima de covid-19. Demilson o sucede.
Beto Farias, sem partido político e em conversação com o senador Jayme Campos, é pré-candidato a deputado estadual. Beto por dois mandatos consecutivos foi prefeito de Barra do Garças.
Beto é filho de Wilmar Peres de Farias, que foi prefeito daquele município, deputado estadual, deputado federal, vice-governador e governador. Sua mãe, Cândida Farias (MDB) é segunda suplente do senador Jayme Campos. Beto sucede Wilmar, que morreu vítima de problema cardíaco.
Túlio Fontes (PV), suplente de deputado estadual em exercício, foi suplente de deputado estadual em legislatura anterior e prefeito de Cáceres.
Túlio é filho do médico Antônio Fontes, já falecido, e que foi prefeito daquele município.
Marcelo de Aquino (PL), prefeito de General Carneiro é pré-candidato a deputado estadual. Marcelo é filho de Juracy Rezende da Cunha, que por três vezes foi vereador e exerceu mandato de prefeito naquele município. Marcelo o sucede.
Em Rondonópolis o empresário do ramo sementeiro Odílio Balbinotti Filho é sondado pelo deputado federal José Medeiros (Podemos) para concorrer ao governo por seu partido e naquela cidade seu nome figura entre os prováveis candidatos ao cargo. Balbinotti preside a Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT) e identifica-se com o pensamento do presidente Jair Bolsonaro, do qual é seguidor.
Balbinotti é filho de Odílio Balbinotti, que esteve a um passo de ser ministro da Agricultura do presidente Lula Silva, mas que recuou à véspera da nomeação por conta de um escândalo que ganhou manchete nacional dando conta de que ele teria usado funcionários enquanto laranja para obtenção de empréstimos no Banco do Brasil. O pai foi vereador e por duas vezes prefeito de Barbosa Ferraz (PR) e cumpriu cinco mandatos consecutivos de deputado federal na bancada paranaense.
OUTROS – Além desses herdeiros, há outros, nas prefeituras e câmaras municipais, e que continuarão em suas funções, a exemplo do prefeito de Tangará da Serra, Vander Masson (PSDB), que administra o quinto maior município mato-grossense. Vander é filho de Saturnino Masson, que foi prefeito de Tangará e deputado estadual; Saturnino morreu vítima da covid-19.
Fonte: EDUARDO GOMES/Diário de Cuiabá/Web TV Cidade MT