MEIO AMBIENTE Líder em queimadas, MT reforça ações de combate
Fase de resposta da temporada de incêndios florestais foi lançada pelo governador Mauro Mendes no dia em que também teve início o período proibitivo do uso do fogo no Estado.
Enquanto o Governo do Estado promete tolerância zero contra os crimes ambientais, Mato Grosso lidera o ranking nacional de queimadas. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de janeiro a 30 de junho deste ano, 5.540 focos de calor foram detectados em todo o território mato-grossense.
A quantidade representa uma redução de 17% se comparado ao mesmo período de 2020, mas representa 21.92% do total de incêndios florestais (22.234) registrados no país. Em segundo lugar no ranking aparece o Tocantins (2.282), seguido do Maranhão (1.964) e da Bahia (1.840).
Para mudar esse cenário, o governador Mauro Mendes (DEM) lançou, ontem (1º), a fase de resposta da temporada de incêndios florestais (TIF) 2021, período em que haverá reforço das ações das forças de segurança no combate aos incêndios florestais e ao desmatamento ilegal. O trabalho tem investimento de R$ 2,2 milhões em equipamentos de segurança e reforço das operações.
Na oportunidade, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) entregou 40 veículos locados, sendo 20 para a as equipes da Superintendência de Fiscalização para o combate ao desmatamento ilegal, e 20 para a fase de resposta comandada pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBM) com brigadistas em campo nas áreas com maior incidência de focos de calor.
“O trabalho preventivo foi muito intenso desde o início do ano, o que nos rendeu o resultado de uma redução de 84% nos focos de calor no Pantanal. O nosso objetivo é preservar a vida humana, os recursos naturais, e a saúde da população”, avalia a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti. O lançamento da temporada teve a presença do secretário nacional de Segurança Pública, Carlos Paim.
O dia 1º de julho marcou também a data em que começa o período proibitivo do uso do fogo no Estado, que foi adiantada por decreto estadual. Com o decreto nº 938/2021, fica proibida qualquer atividade de limpeza de pastagem com o uso do fogo nas áreas rurais até 30 de outubro de 2021. O uso do fogo em áreas urbanas é proibido o ano todo.
“O Governo disponibilizou R$ 73 milhões para investir no combate ao desmatamento e incêndios florestais. É um volume muito expressivo para equipamentos, helicóptero, viaturas, e toda a estrutura necessária para que possamos minimizar os impactos dos incêndios no nosso estado e proteger esse patrimônio que é de todos nós. É um grande serviço que prestamos à humanidade”, afirma Mendes.
Outras ações preventivas previstas são a capacitação, desde o início do ano, de mais de 400 pessoas só no Pantanal, formação de brigadas indígenas, militares e municipais, distribuição de cerca de 1.200 abafadores ecológicos e construção de aceiros mecânicos em locais estratégicos como a Rodovia Transpantaneira e Parque Estadual Encontro das Águas.
AMAZÔNIA – Dados do Inpe revelam que o mês de junho registrou o maior número de focos de calor na Amazônia desde 2007, na comparação com o mesmo mês dos anos anteriores. Os satélites mostram que foram 2.308 focos de calor, o que representa um aumento de 2,6% em relação a junho de 2020, quando já havia sido batido o recorde histórico.
Do total de incêndios detectados na região, Mato Grosso respondeu por 66,55% (1.534) dos pontos de calor. Em segundo, aparece o Pará com 424 focos (18,4%), seguido de Rondônia com 131 focos (5,7%) e do Amazonas com 77 registros (3,3%).
De acordo com o Greenpeace Brasil, esse novo aumento vem na mesma semana em que o governo federal decide manter o mesmo plano que fracassou de maneira incontestável nos últimos dois anos: uma moratória do fogo e o envio de forças armadas, por meio do decreto de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO), para combater o desmatamento e as queimadas na Amazônia.
“Infelizmente, esse recorde no mês de junho não é uma surpresa, considerando a continuidade da política antiambiental e a insistência na utilização de uma ferramenta cara como o envio de tropas militares, que se mostrou ineficiente nos últimos dois anos”, avalia Rômulo Batista, porta-voz da campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil.
Fonte: JOANICE DE DEUS/Diário de Cuiabá