CAMPANHA DE VACINAÇÃO, DIFERENÇAS ENTRE O PASSADO E O PRESENTE

No passado, isto é, na década de 80, em Tangará da Serra, o DIA NACIONAL DE VACINAÇÃO, era um dia muito importante, tínhamos que levar as vacinas até as comunidades na zona rural, montávamos equipes, arrumávamos os isopores, no mínimo 2 por equipe, um para levar o gelo de reserva, e o outro para conservar as vacinas e, todo o esquema de como íamos fazer, tinham 78 escola na zona rural, e todos se tornavam um ponto de vacinação.

O engajamento do povo de Tangará, era fantástico, pois colocavam seus carros a disposição, além dos carros da prefeitura, para vacinarmos todas as crianças.

Uma boa lembrança, daquela época, foi a do pastor José Genésio da Silva da Assembleia De Deus, pai da Eudes Camargo, ex-Secretária de Assistência Social do município de Tangará da Serra, que emprestava seu frízer para fazermos gelo, para conservar as doses de vacinas afim de dar condições para as equipes irem vacinar na zona rural.

A precariedade na época na saúde pública era tanto, que pegávamos aqueles sacos de arroz de 5 quilos, enchíamos de água, fazíamos a vedação e levávamos para o frízer do pastor Genésio para congelar, para termos gelo, era “uma operação de guerra”, levava um mês inteiro de trabalho, os sacos de arroz, o Sr. Uraci Maciel Sacuyoscki, nos dava gratuitamente, pois foi um dos primeiros plantadores de arroz, na Fazenda Sol Nascente, perto da fazenda que pertencia ao seu Wilson Galli, no Joaquim do Boch. O Sr Uracie tinha um descascador de arroz em frente ao Centro de Saúde, na rua 15 com a rua 6, gestos que para alguns eram simples para era nós, naquela época, era uma grande ajuda.

No dia da campanha, era aquela romaria no Centro de Saúde. Já as 4 horas da manhã o pessoal começava a chegar para pegar o isopor, a pessoa treinada para aplicar a vacina e bem como todo o material, para anotar e fazer as planilhas de vacinação de cada local.

Lembro-me com muito carinho do “TONHÃO” o Antônio  Alves Moreira, que antes das 4 horas da manhã, lá estava ele com seu carro, pagando a sua gasolina, bem como o Eliel Ferreira Porto da EMATER eram os dois madrugadores, para levar cada um, uma das 78 equipes de vacinação, e tantos outros que ajudavam gratuitamente.

Para terem uma ideia, toda a equipe do nosso Centro de Saúde, se envolvia nestas campanhas de tal forma que nos relatórios da Secretaria Estadual de Saúde o município de Tangará era o que tinha a melhor cobertura vacinal do Estado de Mato Grosso.

O nosso pessoal se preparava de tal forma que vou contar algo que na época, era normal, mas que hoje seria crime ambiental, o saudoso seu João, eu, e o saudoso Zinho íamos fazer a famosa “espera” no córrego Russo, um pouquinho além da entrada para a calcário que o Russo atravessa a MT 358, tinha uns pés de figueira enormes na mata, aquela época aí era tudo mata, e buscávamos algumas pacas.

Elas eram, um dia antes da campanha de vacinação, recheadas e assadas, nas casas das próprias colegas funcionarias do Centro de Saúde e, na conclusão da campanha, após o último carro chegar, fazermos os mapas com os dados finais da campanha e conseguirmos encaminhar as informações para a Secretaria Estadual de Saúde, fazíamos uma grande confraternização, cujo prato principal era paca recheada. Era uma festa.

Como não se encantar com este povo? Todo mundo colaborava para darmos conta de vacinar as crianças na zona rural e da cidade de Tangará da Serra, todos irmanados em prol da saúde de nossas crianças.

E, hoje encontramos estampado na imprensa local, as dificuldades de fazer com que os grupos alvos sejam vacinados. Tanto que: “De acordo com a secretária de Saúde, Gicelly Zanatta, apesar de estar disponível nas unidades de saúde e não haver filas ou qualquer outro impedimento para a aplicação dos imunizantes (exceto a espera entre a vacina Covid-19 e a da Gripe), as pessoas que pertencem ao público-alvo não estão comparecendo”.

E, continua: “Convocamos os idosos, os professores, profissionais da educação, os trabalhadores da saúde, as gestantes, as puérperas, as crianças de seis meses a menores de seis anos para este sábado. Esses devem comparecer”, convoca a secretária.

Este é o apelo feito pela Secretária Municipal de Saúde de Tangará da Serra, para imunizar as pessoas dos grupos alvos a serem vacinadas, contra a influenza neste sábado, bem diferente do início de nossa cidade, onde as dificuldades eram imensas, mas o espirito de solidariedade ligava todo o mundo, em defesa da saúde de nossas crianças.

Espírito este, que precisamos resgatar, trazer de volta, nestes tempos de pandemia, nestes tempos em que temos equipes de saúde pública bem treinadas, Unidades de Saúde da Família (USFs) equipadas a disposição para a pronta vacinação do público alvo pela vacina contra a influenza.

Se pertences a este grupo, ou tens em sua família ou amigos, que são do público alvo desta vacina, e não se encontram impedidas, incentive-os a vacinarem-se. Desta forma terão uma melhor imunidade.

Fonte:Amauri Paulo Cervo/WEB TV Cidade MT