GLEBA TRIÂNGULO, A EPOPEIA DE UM POVO Parte 3
As terras desta região são consideradas as de melhor fertilidade de todo o Mato Grosso. E, a alta fertilidade natural, permitia uma grande produtividade na produção agrícola de grãos, especialmente o feijão. A Gleba Triângulo chegou, nos áureos tempos, ser a capital do feijão carioquinha no nosso estado. Mas isto é outra história.
Na abertura destas terras, as centenas de famílias de agricultores, tinham que fazer a derrubada das matas, a queima, a descoivara do terreno, e o plantio manual da área, bem como, combater as ervas daninhas e as pragas naturais, cuidando até a colheita. Como tudo ao redor era mata, muitas vezes centenas de porcos do mato entravam nas roças e, faziam um grande estrago, mas por outro lado, a carne destes catetos eram uma delícia, e viravam fartura nas mesas destas famílias. Uma “mistura” altamente apreciada por todos.
Como as terras eram de grande fertilidade natural, geralmente as colheitas eram fartas, mas, como tinham que dar a maior parte da mesma, aos donos da terra, pouco ou nada sobrava as famílias dos pequenos agricultores.
Isto foi se agravando, de uma forma tal, que chegou a uma situação incontrolável, uma encruzilhada, de um lado os agricultores, que estavam encima de terras muito férteis, de outro, os agricultores que se sacrificavam para derrubar a mata, fazer todos os tratos manuais até colheita os grãos, dos “mantimentos”, no final da colheita com o pagamento da parcela majoritária para o patrão, nada sobrava para eles.
E, começou uma revolta, que foi se agravando, pois todos estavam descontentes com a situação. O Estopim estava aceso, as reuniões nas comunidades começaram a serem frequentes e, os agricultores resolveram não mais pagar o percentual ao dono das terras. Num segundo momento, após boatos que circulavam de que o dono das terras sequer tinha escritura das terras, não saíram de cima da terra.
Foram momentos de muita tensão, mas eram centenas e centenas de famílias de pequenos agricultores, que estavam altamente unidos. Os “gatos” tentaram intimidar os pequenos agricultores, a mando dos donos da terra, levando alguns “guachebas”, que na fala chula, eram os “paus mandados”, isto é, pistoleiros que grassavam na época, da consolidação de nosso município, nesta região. Mas os agricultores resistiram bravamente e não arredaram os pés das terras que estavam desbravando.
O conflito agrário de grandes proporções estava armado.