Pandemia mudou a forma como se toma sorvete
Consumo em casa elevou venda de potes, mudou horário de compra e transformou em vedete o ‘coletivo’ sabor napolitano
A pandemia do novo coronavírus mudou inclusive a maneira de tomar sorvete no país. O hábito tornou-se mais caseiro do que era antes de a covid-19 deixar em suas residências os brasileiros mais responsáveis ou que puderam se dar ao luxo de pensar em saúde.
Os potes coletivos, com um ou vários sabores, mais ligados às compras nos supermercados e padarias, passaram a ter mais apelo do que os individualistas picolés nas vendas por delivey, outra prática impulsionada pela quarentena.
No geral, como ocorreu com vários produtos, vendeu-se menos sorvete no período de crise sanitária, mas, graças ao consumo das famílias, o tombo foi amenizado.
O que aconteceu com a Bacio di Latte serve como exemplo do que ocorreu com esse mercado desde março do ano passado. A marca, com presença em shoppings e ruas das grandes cidades, contava com 95% de seu faturamento vindo do atendimento nas unidades físicas. Com a pandemia e o fechamento das lojas, apostou no delivery, que aumentou 600% em relação a 2019.
Investiu também em campanhas de marketing para convencer seus clientes que, sim, era possível entregar o gelato antes de ele virar um suco, com tempo médio de delivery de 20 minutos. Desenvolveu novas embalagens e sabores e passou a receber tíquete-refeição, afinal de contas, estava bem claro que eram trabalhadores em home office que estavam segurando a empresa.
A Froneri, que fabrica os sorvetes da marca Nestlé, diz que todas as classes sociais se jogaram no doce, mas com escolhas diferentes.
“As famílias que conseguiram manter seus trabalhos em home office e acabaram economizando com vestuário, combustível e lazer fora de casa, passaram a comprar sorvetes premium, mais caros. Já aquelas que sofreram redução de suas rendas, optaram por opções mais em conta.”