Dados revelam que uma mulher foi estuprada por dia em MT em 2018
Não se passam 24 horas sem que, em Mato Grosso, pelo menos uma mulher adulta, adolescente ou criança seja estuprada.
Até outubro de 2018, de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), foram registrados 209 casos de violência sexual envolvendo vítimas de 18 e 59 anos e 158, menores de até 17. Ao todo, são 367 mulheres marcadas física e psicologicamente. Importante lembrar que este número vai aumentar, pois a estatística do ano todo ainda não está fechada. Lembrar também que há subnotificações, ou seja, casos que não são devidamente denunciados.
Emocionada, uma adolescente de 17 anos procurou a Delegacia Especializada de Defesa da Criança e Adolescente (Deddica), de Cuiabá, dia 29 de junho, para denunciar o próprio pai por abuso sexual. Em diligência à casa da família, os policiais civis constaram que as outras duas irmãs vulneráveis, de 13 e 10 anos de idade, também eram vítimas de estupro. Na ausência da mãe, isso ocorria, segundo as meninas, há pelo menos 3 anos.
Dia 2 de maio, uma estudante de arquitetura, 30, foi estuprada na madrugada, em uma casa no bairro Boa Esperança, na Capital, onde estaria acontecendo uma festa. O suspeito, de 33 anos, foi preso, após ter fugido do local. De acordo com o boletim de ocorrência, a moça estuda na UFMT. Ela teria passado mal após exagerar na bebida alcoólica. Em seguida, teria sido colocada no quarto da residência para descansar. Depois de algum tempo, uma testemunha relatou que foi ao cômodo em que a universitária estava e notou que a porta estava trancada. Neste momento, disse que bateu insistentemente, até que o suspeito abriu a porta e saiu apressadamente.
Em julho, uma menina de 7 anos do bairro Jardim Umuarama insistiu com a mãe para dormir na casa dos vizinhos. Minutos depois, chegou em casa contando que o homem, de 40 anos, passou a mãe na genitália dela, na frente da companheira, de 39. O casal foi preso.
Em abril deste ano, uma aluna de 12 anos estava indo para aula e, no caminho, foi sequestrada, próximo da escola, e estuprada. Depois disso, correu para casa e contou à mãe sobre a situação e as duas foram à Deddica registrar o crime.
Em junho, garota de 9 anos denunciou à Polícia Militar que o avô materno teria abusado dela, em casa, no bairro Jardim Industriário II, em Cuiabá, em um momento em que a mãe não estava. “Me enforcou e enfiou o dedo em mim”, narrou a menina. O avô alegou que, quando a filha saía, ela própria o autorizava a ter relações com a criança.
Em maio, menina de 6 anos foi operada, após ter sido estuprada por um tio. O caso aconteceu no bairro Jardim das Palmeiras, em Várzea Grande. Teria sido levada a um matagal, nos fundos da casa onde mora com a família. O acusado, que fugiu após o crime, era vizinho.
São histórias assim que ganham o noticiário o ano todo.
Outra cultura
A defensora pública Rosana Barros, que atua no combate a violências contra a mulher, ressalta que o estupro atinge todas as classes sociais.
Destaca que, mesmo em uma situação de consentimento, se, no meio do ato sexual, a mulher não quiser mais, ela tem o direito de dizer não e isso deve ser respeitado.
Ressalta ainda que a família e a escola, com educação sexual, têm papel fundamental na conscientização de mulheres, desde a infância, sobre o risco que correm na rua e em casa.
Afirma que não é possível considerar todos os agressores pessoas mentalmente enfermas. “Quando presos, a maioria pede para passar por exame de sanidade mental e são na verdade muito bons da cabeça. Estupram porque são criminosos machistas mesmo e devem ser punidos como tal, porque senão não param”, alerta a defensora.
Em série
Em julho deste ano, a Deddica prendeu um acusado de praticar oito estupros contra crianças a caminho de escolas em Cuiabá. O suspeito foi interrogado e confessou a autoria de sete dos oito crimes a ele atribuídos – e narrou com riqueza de detalhes as ações criminosas. “As vítimas eram levadas para região da ponte de ferro, onde eram violentadas sexualmente e depois deixadas próximo de suas casas”, conforme consta em relatório policial.
“Até quando?” – questiona a defensora.
Crédito: RD News