Após erro na correção do Enem 2019, participantes temem perder vagas nas universidades federais

O desempenho no Enem é critério para concorrer no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que oferece 237 mil vagas em universidades federais em todo o país. O período de inscrições foi mantido: vai de terça-feira (21) a sexta-feira (24).
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De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem, 3,9 milhões de pessoas fizeram as provas em 3 e 10 de novembro. A princípio o erro havia atingido apenas a correção de gabaritos do 2º dia, quando houve provas de ciências da natureza e matemática. Neste domingo (19), o Inep afirmou que a revisão será feita nos dois dias do exame.
O Inep criou um email para os candidatos que se sentirem prejudicados. O endereço é enem2019@inep.gov.br. Os relatos devem ser enviados até as 10h desta segunda-feira (20), com nome completo e CPF.
Até a manhã de sábado, o MEC e o Inep não sabiam informar quantas pessoas poderiam ter sido atingidas, mas admitiram o erro em ao menos quatro provas de Viçosa (MG) – justamente a cidade em que Virgínia fez o exame. O governo não descartou que as falhas podem ter ocorrido em outros estados e afirmou que investiga o caso.
Segundo Weintraub, o erro atingiu “alguma coisa como 0,1%” dos candidatos que prestaram o exame – o equivalente a 3,9 mil candidatos. Depois, Alexandre Lopes, presidente do Inep, falou que o erro poderia ter afetado “até” 1% – 39 mil pessoas. Ao fim, afirmou que “não chega a 9 mil”. O instituto afirmou que vai divulgar o resultado da força tarefa feita para identificar os erros na correção das provas do Enem 2019 ainda nesta segunda-feira (20), mas não especificou o horário.
Além do Sisu, a nota do Enem pode ser usada na seleção de outras universidades, incluindo instituições em Portugal, e também em programas de apoio do governo – como o Prouni, que oferece bolsas de estudo parciais e integrais em universidades particulares, e o Fies, que financia o pagamento de mensalidades.
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Os relatos de erros nas notas do Enem começaram a aparecer nas redes sociais assim que os resultados individuais foram divulgados na sexta (17).A resposta era de que não seria possível revisar a correção e que o Enem seguia a Teoria de Resposta ao Item (TRI) – metodologia que avalia se o estudante acertou as questões fáceis e difíceis ou só as difíceis, por exemplo, uma espécie de método “antichute”. A TRI calcula as notas conforme o desempenho em vez de contabilizar erros e acertos. O mesmo esclarecimento foi enviado pelo Inep à TV Globo.
Os estudantes de Viçosa viram que outros candidatos estavam com o mesmo problema e começaram a usar a hashtag #errosnoenem. Logo, foram seguidos por outros estudantes de todo o país.Segundo eles, ao menos 50 estudantes tiveram o mesmo problema e estudam entrar com uma ação no Ministério Público Federal.
A União Nacional dos Estudantes (UNE) diz estar recolhendo informações de candidatos prejudicados para denunciar o caso à Justiça. A entidade diz estar atenta para as “correções necessárias”.